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sábado, 1 de fevereiro de 2014



               
                              HISTÓRIA SINGULAR EM UMA VILA PERDIDA


Ao que se sabia, Mané da Rita não tinha Rita alguma na sua vida; o apelido lhe veio por conta da canção com que ele  iinvariavelmente abria sua cantoria do entardecer, acomodado no banco da pracinha :
                                           
                                               Eu vô dançá no Arraiá Feijão Quemado,
                                               Eu vô dança co’a Rita dos pé avermeiado...
               
Não dava outra. Dia vinha, dia ia, era o sacristão bater o Angelus na igrejinha da vila de São Mamede, Mané da Rita  – funileiro, carapina  e fino escultor em madeira  – se achegava à pracinha. Muito respeitoso, tirava o chapéu e acompanhava o bleim-blom aguado do sininho, fazendo o Sinal da Cruz. E ali ficava, olhos fechados, ouvindo o padre rezar a Anunciação do Anjo. Em seguida conferia a afinação do violão pau-de-quiabo e entoava os seus cantos, no mais das vezes sofridos.
 Havia singela razão para isso. Ela nascera justamente em remota Hora de Angelus, quando, após uma noite e um dia de esforço da mãe extenuada, a parteira já o dava por perdido. O padre, sujeito de crônicos defluxos, naquela tardinha chuvosa estava particularmente encatarrado. E lá ia ele rezando ao microfone da igrejinha. “E o verbo se fez carne e... rruumm, gglrrrr, ploft! – expulsou do peito volumosa pelota dos seus catarros eclesiais. Refeito, fungou e deu sequência à oração:  “... e habitou entre nós”. Até aí nada de extraordinário, não fosse a coincidência, ela sim, extraordinária, de José Manoel escorregar sem esforço para a luz justa e exatamente no momento em que, pelas ondas de Hertz, repercutia na vila a sonora  délivrance  catarral do padre.
Domaria Parteira, tanto quanto a parturiente, era muito chegada aos sobrenaturais, de sorte que nada lhe custou concluir que o pimpolho era um enviado da Anunciação   razão mais que eficiente para que ambas o dedicassem ao tocante episódio do anjo anunciador. Daí José Manoel da Anunciação, que mais tarde seria Mané da Rita – uma Rita imaginária que só vivia na mente do Mané, a qual tinha os pés avermelhados, que ele cultivou como  um fetiche meio erótico meio suspiroso.

A vida seguiu na vila de São Mamede, como noutros lugares; só que lá um dia era cópia do anterior, como do subsequente, porque ali  os anos eram perfeitamente iguais, sem tirar nem por. E que, talvez por isso, era uma vila razoavelmente feliz. Padre Ludgero, como vinha fazendo no decorrer do tempo,  pastoreava as almas locais num ramerrão pasmado de anos a fio, sem acidentes e sem incidentes que o tirassem da insipidez  em que desaguara o seu sacerdócio. Pobre Ludgero...
Moço, recém ordenado, já sua fama corria mundo. E as atenções de Roma o pegaram como folha seca em torvelinho, graças à sua genialidade e extraordinário saber filosófico, sem contar a tremenda bagagem de conhecimentos científicos,  humanísticos, linguísticos e artísticos. Um sujeito assim não podia engolir dogmas e cânones  impregnadas de bolor medieval. Era, portanto, como declarou expressamente, um livre-pensador. Bateu de frente com a ortodoxia escolástica de São Tomás e rachou a doutrina dos Santos Padres em feroz sermão que proferiu no Consistório. E avisou que não podia, dadas as suas convicções, aceitar a dignidade episcopal. Sua Santidade, à meio passo da apoplexia, ainda teve força para fazer em pedaços o édito que o nomeava, aos vinte e sete anos, bispo de Bruxlelas.    
Assim e como Roma não se podia livrar por meios drásticos de um sujeito daquele porte intelectual, era desterrá-lo para um lugar que por si só neutralizasse os seus atrevimentos agnósticos. Roma sempre foi pragmática: criou rapidamente o vicariato do povoado mais ermo de que seus arquivos davam conta e fizeram-no vigário de São Mamede, povoado tão desvalido que sequer figurava nos registros IBGE. Ludgero aceitou de bom grado a nova designação, de antemão sabendo que, graças a ela, poderia, enfim, se dedicar ao que mais gostava de fazer, estudar e escrever. E lá estava ele na Vila de São Mamede há vastos sessenta e um anos, feliz e em perfeita paz.

Um dia aconteceu na vila um fato que embasbacou aquela população amoldada em anos e anos de monotonia; e que assombrou Mané da Rita, particularmente. Não se soube donde viera,  amanheceu num banco da pracinha uma cafuza de rosto redondo e cara de sonsa. A bem da verdade não se sabia dela coisa alguma, mas ela impressionou verdadeiramente o povoado porque era lindíssima. Ah, sim, Rita era belíssima.  Sua cor de garapa queimada, o rosto oval de olhos amendoados e pestanas longas, encantavam à primeira vista; e o corpo de proporções magníficas, capaz de congelar respirações, parecia desenhado a régua francesa, tudo abaixo dos longos cabelos da seda negra dos ancestrais goitacazes (Padre Ludgero, antropologista ilustre, assim definiu) que contrastavam com a fieira perolada de dentes da raça yorubá (também conclusão do padre). Para resumir, Rita era extraordinariamente linda.   

Quando a manhã ainda bocejava e subiam de uma ou outra chaminé as fumacinhas regimentais de quitandas assando, a vila deu com a desconhecida num banco da pracinha, estática, olhos fincados no chão, ar assonsado. Vestia uma bata de chita descorada e tinha nos pés sandálias de sisal; e era perfeitamente muda. O estupor  que envolveu o povoado só amainou quando alguém lembrou de chamar o padre, sujeito de vastos descortinos, ademais, a voz ativa do lugar. Ludgero empalideceu quando lhe pôs os olhos.  L i l i t h ! – não conseguiu reter a exclamação. Santo Deus, que coisa mais linda aquela cafuza que surgia na vila como enviada das potestades pagãs!  Lilith reencarnada! Não faltava mais nada...  Que grande sarilho, aquele! Uma aparição assim desgoverna esse buraco... Vai dar encrenca grossa...
Como a confirmar-lhe o pensamento, logo o ar se encheu dos cochichos masculinos sobre os predicamentos corporais da moça, ao que, em contraponto, se elevaram as murmurações azedas das mulheres. Era fatal. Tanta lindeza não provocaria outra coisa que a antipatia aquelas matronas enfarruscas de cabelo sarará que compunham as duas associações religiosas da vila: A Associação de Santa Zita e a Pia União das Filhas de Maria, as quais, sendo todas mui piedosas, nutriam entre si acendrados remoques e quizilas mal disfarçadas. Essas coortes, se tinham em comum a mania do disse-me-disse, eram morfologicamente distintas: as de Santa Zita, magrelas e ressequidas e como cipó antigo; as da Pia União  balançavam corpanzis enxundiosos e suarentos.  Padre Ludgero as conhecia bem, uma por uma, suas confitentes a cada primeira sexta-feira do mês.  E foi também por isso que, depois de assuntar os fogachos masculinas e os muxoxos femininos, decidiu levar  a forasteira para a casa paroquial. Na sua idade, ninguém pensaria mal...

                Quando, na praça, Ludgero a chamou de Lilith o povo entendeu que o padre a que  chamara de Líli . Ele, é claro, não desceria a pormenores sobre isso com aquele povo rudimentar. Mas, figuradamente ou não, a visão que teve foi de  Lilith, a lendária segunda mulher de Adão.  Não a primeira, tida como única,  estafermo  desengonçado, feita de costela, mas a adorável  e encapetada mulher esculpida em ouro por Lúcifer  – que tinha extraordinário senso estético    a quem,  com seu sopro infernal  transformou em mulher de carne e osso.
                Na vila, ela se tornou assunto nos falatórios das Domarias.
                - Pra mim, essa Líli num é frô que se cheire...
                - Né Líli não; é Rita.
                - O pade chamo ela de Líli...
                - Sei lá cumé que aquele demonho chama!       
    - E ela tá lá na casa dele...  Vai sabê...
                Domaria Parteira, de falares não contestados no lugar, foi enfática:
                - Ói, eu vô falá procês uma coisa: pra mim ela é muié-dama fugida!
                - Crêin-deus-pade!
    -  Intão Pad’ Ludgero disbanderô!
                - Aquela muié tem parte co’Satanais!

O certo é que, Lilith fora morar na casa paroquial. Ludgero, dentre tantos dons, era um linguista de fama. Por isso não lhe foi difícil se entender com a sua hóspede na língua, única, que ela falava: nagô. E ficou sabendo que a cafuza se chamava  Maa’Lita,  ou Lita, que na vila virou Rita, provinha de um quilombo irredutível  e não assimilado que só falava a língua dos yorubás. Fora expulsa da aldeia pelo velho soba que a cobiçava, quando, numa festa de Oxóssi, um tocador de tumbadora “lhe fizera mal”.
Com medo das Domarias da vila, ela mal chegava à varanda da casa paroquial e se tornou governanta de Ludgero, que gostava da sua companhia e lhe adorava o assado de coruja com mel, quando ela, de madrugada, saía furtivamente a capturar uma ou duas dessa ave.  
                Um dia, Maa’Lita fugiu. Desapareceu sem deixar rastro. Ninguém se interessou em procurar-lhe pegadas.  Tida e havida como amásia do padre, era mulher amaldiçoada.  - Muié de pade vira mula-sem-cabeça na Coresma!  Ludgero sequer tentou investigar o rumo da cafuza. Nascida e criada em quilombo arredio, era certamente conhecedora das artes meteiras. Não deixaria marcas da sua passagem. Depois desse dia não se viu mais o Mané e seu pau-de-quiabo a cantar na pracinha. A vila estranhou. Foi  ver, Mané estava à morte.

                Nó-na-tripa, veneno de cobra, espru, terçã,catarro maligno, até coisa mandada, foram alguns dos muitos diagnósticos  que se fizeram, mas Ludgero que estudara patologias incomuns  em Lucerna, sabia que o mal que atingira Mané da Rita era de outra etiologia; e fatal. Soube, logo que o viu, que Mané estava ali, estava condenado. E condenado sem salvação, porque ele simplesmente decidiu morrer. Paixão. Paixão de espavento, desmedida, alvoroçada , exacerbada, que desandou em desencanto e desespero e resvalou para invencível  ódio da vida, foi a conclusão do padre. E a causa era Líli/Maa’Lita   ou Rita, como a vila a chamava    que não lhe retribuíra o amor e, pior, o achava horroroso. Maa’Lita era, sim, de despertar paixões convulsivas, mas nem foi por isso que Mané da Rita se tomou de amores por ela. A Rita, aquela “dos pé avermeiado”,  que ele louvava nos seus descantes vesperais ao violão pau-de-quiabo, já foi dito, não era propriamente alguém, uma pessoa real, terrena, mas um fetiche, uma ideia amalucada, difusa e erótica, entremeada de angústia profunda. Tanto que, dessa Rita, sequer imaginara algum dia o rosto e outras particularidades, fixado somente nos respectivos pés, que, na sua cabeça, tinham ligeira tintura escarlate; e com a qual ele, em sonhos, vivia repicadas contradanças  no Arrial Feijão Queimado.  Mas, por essas artes perversas de que o destino é pródigo, Mané ligou a cafuza à “sua” Rita. Pronto. Num surto sem controle, a mente azedou, o corpo esmoreceu e Mané da Rita decidiu, sem apelação, morrer o quanto antes.

                Ludgero lhe quis, sem maior insistência, lhe dar a extrema  unção, mas ele rejeitara a reza.
Não ia morrer senão dentro de três dias, como já havia marcado. Tinha uma tarefa a realizar. Não se sabe a poder de quê; mas Mané da Rita conseguiu aprumar e se trancou na sua tapera. Ali se pôs a trabalhar, isolado, sem abrir porta e janela. Só ouviam os rumores de oficina; em vão o povo tentou descobrir o que ele fazia. Então, ao fim de três dias, um Mané  defecado abriu a porta e gritou; queria que fossem chamar o padre com urgência.
                Ludgero chegou, esbaforido. Deu com o funileiro  descaído na enxerga; Mané parecia nas vascas da morte.  Ele mal conseguiu apontar para um objeto de meio metro de altura, coberto com um pano.
                - É... é... pro siô, pade... põe ela lá no artal... com munta frô involta dela...
                Ludgero entendeu que era um adorno para ser colocado no altar mas...  - Ó Meu Deus! 
                Sob o pano, linda, perfeita em cada detalhe, estava Santa Rita em cores,  esculpida em cedro, com o hábito negro, a cruz entre as mãos, rodeada de rosas vermelhas. Era, nos mínimos detalhes, quase vivo, o rosto de Maa’Lita, sem tirar nem por. Mané acabara de expirar.  Pela primeira vez na vida, ele, Ludgero,  livre-pensador e agnóstico, doutor em todas as ciências, professor de línguas mortas, teólogo não alinhado, filósofo encanecido entre livros e pergaminhos, vivido em  lucubrações esotéricas,  chorou copiosamente: Santa Rita tinha os pés avermelhados...            

 
                                                                               FIM

       

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ACREDITE, SE QUISER ...

















Conheci a Dra. Betidêivis da Silva ao tempo em que    como já relatei no meu blog  éondeeutefalo    servi  na Legião Estrangeira como corneteiro do Forte  Mon Trésor sob o comando do Capitão Valery Giscard D’Estaing. Quando o forte foi sitiado por tuaregues furiosos, Monsieur  Le Capitain se evadiu disfarçado de camelo e foi ser presidente da França. Como a guarnição se compunha do comandante e do corneteiro, fui o último a abandonar  Mon Trésor antes da sua derrocada, sob o conveniente disfarce de monte de areia.
Dali fui ter ao Hedjaz, onde zanzei por dois anos como adivinho e ledor de sortes, no que granjeei relativa fama como sabedor das artes divinatórias. Um dia fui chamado a ler a mão de uma houri loura e gorda acampada na orla do Nefud. Tratava-se da Dra. Betidêivis, astrônoma e cientista quântica da NASA. Com aparelhos complicadíssimos e cartas celestes indecifráveis, ela pesquisava o paradeiro do que ela chamou de “galáxia perdida”. O Nefud é, segundo me disse, um ponto de rara concentração de forças intergaláticas, donde a sua presença ali.
                Para resumir, li a sorte da doutora e lhe vaticinei um carreiro de formosas descobertas. Ficamos amigos e fomos nos reencontrar anos depois numa galeria de arte em Bruges. Perguntei-lhe pela galáxia perdida. - Estou quase descobrindo o seu rumo; mas onde fica, exatamente, acho que isso só se saberá daqui a uns dez mil anos, ela disse. Fiquei perplexo. Como? Que coisa doida era aquela? Betidêivis me explicou: a distância dessa galáxia relativamente à nossa é tão grande, tão incalculável, que se pode avaliar um milionésimo dela  em novecentos zilhões e oitocentos setilhões de anos-luz. A raça humana não o tem capacidade de conceber tão extraordinário espaço; nossos conceitos são ainda rudimentares para tanto...
Bom, o tempo passou. Faz dias, recebi, através de portador, uma carta em que a Dra. Betidêivis da Silva me revelou sua grande descoberta; ou melhor, descobertas: onde fica, ainda é um mistério insondável, mas ela pode afirmar, com forte base científica, que a galáxia perdida é justamente, como ela achava mas guardara para si, a famosa Shi-Kan-A, relatada em manuscrito de 15.000 AC, encontrado nas cercanias da hoje Port Said. Betdêivis chegou a situar um planeta mais ou menos habitável dessa galáxia, que ela teve a honra de batizar: chamou-o Planeta Fudsky.
As maiores surpresas estavam por vir. Em Fudsky existe o que, com certa boa vontade, se poderia dizer vida inteligente. Além disso    prodígio dos prodígios!  – um  ser daquele planeta está no... Brasil !!! Embora a séria desconfiança de que possa haver outros, este exemplar é perfeitamente identificável. É um tipo de androide macilento, tem jeito de encantador de serpente, usa capa preta, tem olhinhos de calango e um sorriso de gelar o sangue. Um tipo tão raro, e valioso, quanto (palavras dela) uma nota de 111 dólares. E mais não disse a grande cientista. Estou à cata do homem de Fudsky. A Dra Betidêivis o classificou como da família dos levandróidysk, autóctone do dito planeta. Quem souber, divulgue.
           
É onde eu te falo...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

ÍNCUBO, SÚCUBO E POLÍTICA



Vender Alvarás de Salvação Eterna foi uma das atividades mais rentáveis a que se dedicou São Pedro. Esse raro produto não vinha com Certificasdo  ISO, inexistente á época, mas era garantido: o comprador, ainda que praticasse os pecados mais cabeludos, estava para sempre livre das penas infernais.  Dada a sua extraordinária valia, esses alvarás não eram baratos, razão pela qual nunca estavam ao alcance das bolsas medianas   para as quais o Vaticano oferecia produtos mais em conta, como as bulas que, claro, só garantiam até o nível de pecados de menor severidade, como rapto consentido, pequena agiotagem, masturbação, falsificações ligeiras e equiparados.
Ora, desde sempre, quem enrica e fica à toa acaba “copiando moda”, expressão hoje em desuso, mas cujo sentido é imemorial: entregar-se a banalidades ou frivolidades, às vezes de consequências nefastas. Com Roma se deu isso. Era na Idade Média e seus teólogos, ricos, desocupados, gordos de carne satisfeita, já não tinham o que inventar e conceberam dois capetas novos: Íncubo e Súcubo    pilantras noturnos que hoje se classificariam como “do cu riscado”. Andavam em dupla: Súcubo era o sacaneta passivo que se encarnava nos padres que perdiam o sono por conta dos seus delírios sexuais; Íncubo, o perverso, sodomizava esses padres insones.                       




       Na sua confortável duma imperial, em meio à taiga verdejante, o Camarada Leonid Brejnev se esparramava como um javali obeso na poltrona e devorava pepinos entre vastos goles de Stolichnaya. De permeio, bolinava o belo traseiro ucraniano da jovem que lhe cortava as touceiras javalísticas das sobrancelhas enfezadas com um aparador comprado aos imperialistas decadentes. Mas sua atenção estava no telefone: Brejnev determinara ao seu mamulengo de Bonn que enviasse cinco milhões de dólares (rublos não valiam nada) a São Paulo-Brasil, a crédito da falange católica que professava com vigoroso entusiasmo o credo marxista-leninista.
Muito bem, era 1970. O dinheiro foi remetido. Com ele a tal falange fundaria, na Conferência a ser realizada numa republiqueta latino-americana, um partido político. Esse partido entronizaria como seus gurus dois guerrilheiros, então chamados de “operários revolucionários”: Jesus e Guevara, segundo os  conferencistas, irmãos de sangue e doutrina. Eis como esse partido foi arrumado graças à grana da Alemanha Oriental. A conferência começou, e como a pauta se resumia à tomada do poder no Cone Sul, os conferencistas das outras republiquetas estavam indóceis a ponto de saltitar. Tanta indocilidade e quebra de mão desaguaram em invencíveis (consta que enfoguetados) pruridos anais, que... tchan-tchan-tchan-tchan... trouxeram à Conferência ninguém menos que a dupla canalha: Íncubo e Súcubo! Chegaram num pé de vento e... Bem, imaginam-se os acontecimentos. Certo é que no mesmo dia era parido (por via nada convencional) o partido que tirou a calma de Paulo VI; este antevira os rumos que a coorte vermelha tomaria, inda mais sabendo que a dupla de patifes esteva lá.
                Não deu outra. Pouco tempo depois, o tal partido tomava o freio nos dentes e mandava à m... os conferencistas, seus genitores, fazendo apologia de coisas que, mesmo para esses religiosos desviados, eram inaceitáveis. Mas era tarde. Com o tempo sua cria, o partido, se dedicou à rapinagem, ao roubo escancarado, à corrupção mais torpe e até a assassinatos  – no Estado de São Paulo. Agora esse braço de Roma, esse ramo marxista-leninista, se escafedeu. Finge-se de passarinho na muda e   tirante um tresmalhado padreco ou outro   finge que não tem nada com isso.        
                Pois é. Benedictus XVI tinha todos os motivos para renunciar e Francisco I para sonegar o Dossiê Gay. Íncubo e Súcubo ainda estão ativos nos desvãos de São Pedro.
    É onde eu te falo...