Páginas

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

OTEATRINHO DOS HORRORES




            Quem já assistiu a filmes sobre o tempo dos Césares certamente leu, em cártulas e estandartes, a inscrição SPQR, ou seja, Senatus PopulusQue Romanus, Senado e Povo Romano, temas importantes... para Roma Antiga. É claro, o Senado Romano não era tão aperfeiçoado quanto o do Brasil de hoje; naqueles tempos o plenário e a mesa diretora da instituição senatorial romana não se adornavam - como hoje, aqui - com personagens de tão formosa linhagem.
Pontificou lá um tal Marco Pórcio Catão, vulgo o antigo. Ao que li e concluí, Catão era neurastênico, vagotônico e confuso, enfermidades que, também creio, desaguaram em exacerbações de fúria destruidora e bazófia, conseguintes naturais desse quadro patológico. Não passava um dia sem que ele, nas sessões do Senatus, deixasse de gritar: - Cartago deve ser destruída!
Até que Roma decidiu mesmo destruir Cartago, reino siciliano que batia de frente com o Império na corrida comercial; sem contar que os cartagineses se erguiam como sérios adversários militares. Ora, Mediterrâneo, Tirreno, Jônico e Adriático, eram um formidável escoadouro comercial que interligava negócios europeus, africanos e asiáticos, sem contar a relativa proximidade do Egeu e até do Mar Negro. Enfim, uma região de entrepostos fervilhantes de carga e descarga. A supremacia naval e comercial nesses mares era aspiração geral. Daí o mote da guerra: o comércio move o mundo; comércio gera dinheiro; dinheiro gera poder. Guerras, santas ou profanas, têm o mesmo DNA: a busca do poder.
Bom, Roma desabou sobre Cartago. Foram três incursões militares, denominadas Guerras Púnicas, nas quais ganharam a palma Amílcar, Aníbal, Cipião, o africano, alguns elefantes e outros atores que se repicaram nas ribaltas da História que se estudava no curso ginasial. A frase recorrente ganhou o mundo: - Cartago deve ser destruída! – berrava Catão, o antigo. 
Hoje, Ahmadinejad, o moderno, atazana o mundo esgoelando sem cessar: - Israel deve ser destruído! E enquanto esgoela explode rios de saliva hidrófoba, entre dentes arreganhados e esgares de furor demente. O iraniano se imagina reencarnação de Ciro, o persa, e finge que tem voz ativa. Na verdade é apenas um boneco manejado pelos aiatolás. Curiosamente, é imediata a ligação sonora entre o nome próprio Ahmadinejad  e o qualificativo manejado ...
Por sinistras razões, a Chancelaria brasileira (também a mando) aplaude freneticamente o bailinho do mamulengo aiatolínico  (seria aiatolítico ?). E se desvanece em copioso orgasmo ideológico ao vê-lo dançando suas desconjuntadas cirandas de guerra na ribalta dos ulemás iranianos que lhe movem os cordões. Esquecem-se os persas de hoje, também os aplaudentes brasileiros, que a guerra púnica do Iran contra Israel não seria tão laureada quanto as de Roma contra Cartago. Israel tem um dos melhores, se não o melhor, serviço de inteligência do Planeta, o MOSSAD. A dificuldade não leva o sapo a pular? Pois os judeus, costumadas vítimas de pogroms e raids punitivos, já não são a Geni  -  “joga pedra na Geni, joga bosta na Geni”. Quem não lembra? Daí, pode se desenganar quem pensa que o manejado pode destroçar Israel só com truculência e rosnados. Antes da iniciativa iraniana já o Knesset terá autorizado a imediata ação militar israelense; mesmo sem autorização do Parlamento, os discípulos de Moshe Dayan, o caolho, estarão em feroz arrancada contra a república teocrática dos persas modernos. “República” virou um termo tão avacalhado que até parece...
O que virá daí não se sabe. São inimagináveis as conseqüências dessa guerra. Segue-se que os poltrões inconsequëntes (todos eles) andariam melhor se assumissem posturas responsáveis, com atitudes sérias, dignas de verdadeiros estadistas. Mas, não. Ao invés, incentivam o manejado, como se ele fosse mesmo capaz de pulverizar Israel só com um berro. Inda uma vez lembro o ditado do passarinho que come pedra – aquela ave a que tanto me refiro em textos anteriores. Ai de quem não se precata.

É onde eu te falo...            

domingo, 9 de dezembro de 2012

... Y LOS SUEÑOS, SUEÑOS SON ! (Calderón de La Barca, Séc. XVII)



            Deu nos jornais de hoje: gênios políticos querem que Dona Dilma construa uma nova embaixada do Brasil em Cuba. Justificativa desse formoso plano: era aspiração antiga de Niemeyer, que já em 1953 desenhara o respectivo projeto, em religiosa homenagem à memória do Santo Josef  Stalin. Assim e como o arquiteto morreu sem ver o seu sonho realizado, é digno e justo que o povo brasileiro enfrente os custos desse mimoso troféu à ditadura de Castro – o governo mais democrático da História do Planeta.
            Para uma nação milionária que tem caixa para presentear Evo Morales com um formidável complexo pago pela Petrobrás, realizar o sonho do Dr. Oscar é uma atitude tão prosaica quanto beber um copo de água. Como se diz vulgarmente, é despesa que “sai na urina”. E mesmo que não saia, a edificação de uma curvilínea embaixada em Havana muito contribuirá para a evolução da Humanidade. E os gênios poderão dizer, parodiando Cecília Meirelles, “o mundo ficou muito melhor depois dessa obra”. Que... obra!
            Mas, vá-se desenganando quem supõe que vai ficar só nisso. De fonte certa, ouvi que o andaço de presentear os chamados alinhados permanece exacerbado: além da embaixada de Havana, os mesmos gênios querem tirar da gaveta mais dois (na verdade, quatro) sonhos e projetos arquitetônicos de raras curvidades, a saber:
a) um SPA 50 estrelas, em Buenos Ayres, onde Cristina Kirshner tentará conter o galope das suas muxibas, já inescondíveis;
a’) um Salão Grená privativo da presidente argentina, que, já embonecada, poderá rebolar na coreografia feroz de suas “milongueras pretenciones”, com direito a Gardel e Piazzola.
b) um apocalíptico complexo de piscicultura, em Caracas, só de peixes de carne branca, para suprir a pantagruélica mesa de Hugo Chaves com toneladas diárias de ceviche;
b’) um “cebolal” de dez mil hectares, para suficiente produção das cebolas que vão temperar o ceviche do glutão, pois não se faz esse prato venezuelano sem bastante cebola, que é para o conveniente estímulo dos flatos .
Esses quatro empreendimentos – todos arredondados em vastas parálobas, ogivas e elípses - correrão à conta do Tesouro Brasileiro, da demarcação dos terrenos aos custos de pessoal e aos almoxarifados. O que não é demasia alguma, se a contrapartida é a realização de velhos sonhos ideológicos. Depois, vêm com as costumeiras arengas: falta dinheiro praísso, falta dinheiro praquilo e pranunseiquemais. Como se vê, o Brasil ainda é o campeão quando se trata de estabelecer as prioridades corretas.    

É onde eu te falo...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

COMO ERA DOCE O MEU CHÁ DE ALECRIM...



            Hollywood tem obsessão por carro em alta velocidade; de preferência com avanço de sinal, corrida na contra-mão e – esse é o seu maior deleite – com abalroamentos descomunais e trombadas que espatifam veículos e condutores. Depois, gosta de mostrar a incompetência da sua polícia ostensiva que, além de perder as corridas para os bandidos, avisa-os da sua chegada explodindo  sirenes. Os comentários dos espectadores são os mesmos: Gente! Por que a polícia se antecede de estardalhaços, quando poderia surpreender os meliantes? Ninguém sabe a resposta, mas todos estranham.
             Como a sociedade brasileira estranha as pérolas, legais ou não, que permitem - aliás, obrigam – as autoridades a soprar fumaças escamoteadoras em determinadas investigações: antes de iniciar suas atividades investigatórias, a polícia adverte os vagabundos: - “Ô, cara! Se liga e dá teu jeito, ô meu, que dipois de dipois damanhã a oito dias nós vai vasculhá o teu galinheiro, tá sabêno, ô malandro?  
            È claro que o aviso não é dado nestes termos; mas deveria. Deveria, sim, ser dado em linguagem bem chula... consideradas as circunstâncias. Mas não é assim. O aviso, editado com antecedência razoável – por motivos óbvios – é enviado no juridiquês mais empolado, nos termos do parágrafo x do artigo tal da lei qual, modificada pelo decreto y combinado com o artigo w, “caput”, e respectivas alíneas III a XXXIX e do artigo x+y da lei tal, que alterou o decreto x+z... etc. Esses penduricalhos, de tão rara excelência, é que conferem validade legal à investigação (dita sigilosa) e resguarda os delinqüentes da surpresa, segundo o “due process of law”. 
A notificação prévia dos trastes, suspeitos de trapaça ou claramente envolvidos nelas, permite-lhes esvaziar gavetas, queimar arquivos, sumir com indícios e outras medidas de... cautela. Os bandoleiros, é claro, se preparam. A investigação, quando dá com alguma coisa útil, é por descuido dos envolvidos, que se esqueceram de ocultar um memorando safado ou um bilhetinho de amor proibido. Pouco se apura mas a diligência investigatória está salva, devidamente molhada com baldes e caçambas de inteireza legal e juridicidade plena, segundo os cânones do Estado Democrático de Direito, etc., etc., etc.
          Assim foi vasculhada a célula paulista da Presidência da República, avisada com boa antecedência por ordem judicial. Acharam-se miuçalhas, apenas, inclusive restos de um chá de alecrim numa xícara suja. Mas não estranhem. É de preceito que esses avisos sejam expedidos quando a investigação será feita em... “setores muito sensíveis” (!!!) da Administração Pública. Pois é. As leis visam a proteger a sociedade e as... mas, às vezes, só teoricamente, né?
           Ah! Já ia me esquecendo: como é, mesmo, “alecrim” em Inglês?

            É onde eu te falo...

sábado, 1 de dezembro de 2012

AI DOS PASSARINHOS INSENSATOS...



            De Vargas a Jango, foi a casinha feita de guloseimas, como a da história de Joãozinho e Maria; nos governos militares virou carro alegórico, cujo tema era o Tesouro de Golconda, a instituição dos salários régios dos “Príncipes da República” – título que antes pertencia aos antigos funcionários do Banco do Brasil; de uns anos para cá é um “barracão de escola de samba”, onde o zabumba da bateria marca evoluções de alas e passistas que dançam o lundu partidário. Eis, ao que consta, a carreira da Petrobrás.
            Passou por mudanças de perfil mas  (também consta) nunca se livrou do seu estigma de nascença: a incompetência administrativa. A Petrobrás, como os católicos, já nasceu com o “pecado original”, fadada à gestão de apadrinhados sem tino – curiosos enfatuados com pose de gênios. Além disso, consta que... Mas, não! Acho que estou dando muito ouvido ao que consta. Creio que há exceções. Claro que há; sempre há, principalmente se procuradas com uma poderosa lente de aumento.         
            Seja como for, não se atina com todas as razões (verdadeiras, não de embromação) que levam uma grande empresa, que vende produtos fundamentalmente essenciais para a vida moderna, a viver em constante apertura financeira. Motivos há. Cessão quase gratuita de combustível brasileiro a “países amigos”; conchavo político-ideológico para presentear governo alinhado com o direito de invadir e “nacionalizar” bilionárias instalações pagas pela empresa brasileira; desvio de fundos para fins nebulosos, patrocínio de festivais de mau gosto, por exemplo, estão entre esses motivos, conforme consta - fora os que... não constam. 
            A voragem fiscal, típica do Brasil, leva o Governo a por as montadoras em regime de produção de guerra, porque a ordem é explodir as estatísticas da compra e venda de veículos. O país se transforma num apocalíptico novelo de carros que trafegam dia e noite. O Brasil engarrafa; e não sai do lugar. Antes foi a ordem aos bancos para financiar veículos em até 500 meses. Deixe que comprem! Brasileiro é burro; não olha o custo do automóvel; só verifica se a prestação cabe no seu orçamento!  Ora, arrecadar é preciso; e cada vez mais. Afinal, o custeio da máquina estatal hipertrofiada não é batatinha. Pois não transformaram o Estado brasileiro num “vasto paquiderme”? (a expressão é de Machado de Assis). 
            Então, a inexorável lei de causa e efeito desce o porrete: malfeitorias geram malfeitos. Políticas rudimentares não deságuam em mar de rosas. E assim o consumo de combustível chega ao patamar da estupidez. Resultado: o Brasil não tem combustível suficiente para enfrentar esse desatino. E la nave va...
            E estou, muito refestelado, lendo a minha VEJA, quando viro a folha e dou com quem? Será que é a... Não, deve ser a... Pois não sei quem é. Parece uma improvável mistura de Morticia Adams e Maga Patalógica, mas não sei. Não concluo até bater os olhos na legenda. Ah, sim, agora reconheço. Ora, que memória a minha! É a Graça Foster, presidente da Petrobrás, mandando aos brasileiros a sua doce mensagem natalina: o preço dos combustíveis será majorado em 15% !!!
          Disseram-me que ao Brasil falta tenência, além de um pouco de humildade. E fico pensando: seria bom que os brasileiros se lembrassem das singelas verdades da gente do mato; matutos e mateiros, sempre sábios, têm um lema como diretriz de vida: “passarinho que come pedra sabe o cu que tem”.   
             
            É onde eu te falo...

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A ELIMINAÇÃO DA BESTA



Folheando velha revista encontro a Seleção Romena de Futebol que disputou a Copa da Fifa em 1994 e encantou o mundo com seu estilo - leve, rápido e elegante - de jogar bola. Assisti a alguns jogos dessa equipe no salão do Hotel Tanharu, à época o único da então serena (não sei se ainda hoje) Praia de Castelhanos, no litoral capixaba. Os brasileiros, estávamos eufóricos naqueles dias de moeda forte e futebol gostoso de se ver. Bons tempos. Da Seleção Romena, três jogadores me ficaram na memória, pelos seus nomes, típicos a mais não poder: Dumitrescu, Popescu e Petrescu. Mais romeno que isso só Bucareste.
Então surge a inevitável lembrança de outro "êscu"; não simpático quanto os citados, mas nojento e safado: Ceausescu. Que traste, aquele; melhor dizendo, aquilo. O canalha "governou" a Romênia de 1965 a 1989, nomeado pelo ogro pestanudo Leonid Brezhnev - segundo os mui democráticos preceitos bolchevistas. Ceausescu foi escolhido justamente pelas suas belas virtudes: era sem-vergonha, ladrão, sanguinário, brutal, assassino e peçonhento, ou seja, um verme com todas as características fundamentais dos ditadores.
O biltre (bela expressão) desonrou a bela Romênia por 24 anos. Até que os romenos decidiram se dar um belo presente de Natal: mataram-no em 25 de Dezembro de 1989. Executaram-no como a um cachorro hidrófobo: sem problemas de consciência. A parte boa da Humanidade aplaudiu. Na Internet se encontram vídeos dos últimos momentos do tralha e da grande festa que os romenos fizeram em louvor do formoso evento.
 Todo ditador deveria ter esse fim. O Planeta agradeceria e o Chefe das Fornalhas Infernais (se o Inferno existisse) entraria em orgasmo cívico. Pena é que alguns morreram de morte natural; maior dó é que alguns ainda não foram enterrados porque estão vivos – só teoricamente: na verdade, são vegetais em claro estado de putrefação, abantesmas que mascam a gosma fedorenta que excretam, mas não cospem – no que fazem um bem enorme à higiene do Planeta.
Pois é assim. Ditador é aberração. Ditador, mesmo quando chamado de premier ou presidente (!!!), é nada além da besta monstruosa que, só por viver (mesmo teoricamente), comete crime continuado de lesa-humanidade. 
           Sei de “democratas” que babujam a genitália desses ditadores e lhes seguem a cartilha !  Embora certos brasileiros sonhem com esse posto  infame, o Brasil, felizmente, não os tem - os ditadores; mas está "assim, ó"  de... ba-bu-ja-do-res.
           
É onde eu te falo...
     

sábado, 24 de novembro de 2012

TODOS PARA O BREJO (NÃO SÓ A VACA)



  Pois Benedictus XVI, que também é Bento e igualmente dezesseis, de notório conservador, virou novidadeiro: decidiu apagar das cabeças católicas uma tradição que sempre lhes foi tão cara: despejou do Presépio hóspedes que, faz séculos, nele vinham passando as Festas de Natal. Dixit Pontifex, disse o Pontífice: -Presépio não tem bicho!        
Sua Santidade, com assistência do Espírito Santo, tem o dom de, pela Igreja, falar ex cathedra sobre “doutrina de fé ou costumes” (sic) -  outorga do Apóstolo Pedro, consolidada em mandamento constitucional promulgado pelo Concílio Vaticano I, em 1780. Aliás, falar “ex cathedra” pode se traduzir por “falar doutoralmente”; ou seja, em linguagem menos culta: o Papa falou, tá falado. De resto, é esse mesmo o espírito da coisa, tanto que as sentenças papais se erigem em dogmas, ou preceitos indiscutíveis. Justamente por isso é que a Igreja diz, e os católicos repetem: o Papa é infalível!
Pobres católicos! E agora? Como eles vão purgar a irregularidade dos seus presépios domésticos, onde acostumaram juntar espécimes bovinos, ovinos, caprinos e eqüinos (com trema), até mesmo, num rasgo democracia zoológica, o galo que canta à meia-noite, a conclamar – muito a propósito – para a... missa do galo?
É... Sua Santidade arrumou um grande sarilho!
Quem vai, tirante um ou outro papista irredutível, armar o seu presépio sem os bichos litúrgicos, logo eles, portadores seculares de inefável encanto? E como explicar às crianças, os crentes mais gentis e verdadeiros, que neste ano o seu presépio só abrigará a Sagrada Família e (mesmo assim só depois de 6 de Janeiro) os Reis Magos? Não. Positivamente, é um desconchavo. Sem os bichos não há presépio que agüente (também com trema). Ora, já se viu desterrar do cenário natalino os figurantes mais pacíficos e amoráveis? Depois, há pontos a ponderar. Vejamos:
 1 - Se na taipa de Belém não há os bichos regimentais, também não há de ter a manjedoura, quando é fundamental: a) que ela tem a função original de acondicionar a forragem dos próprios e, assim, não havendo bichos não faz sentido ter alfafa; b) que justamente na manjedoura, sobre a alfafa macia, foi posto a dormir o Menino Jesus. A notória manjedoura, portanto, seja no seu propósito originário, seja na sua finalidade derivada, é um estorvo no Presépio Papal.
2 - Demais, se não há os bichos, o Menino Jesus vai se congelar na friagem invernal de Dezembro (naqueles Orientes faz frio no Natal). Então, quem vai bufar sobre o nenê para aquecê-lo? No entanto, conforme a jurisprudência popular, o Menino Jesus definhava, encarangado, quando os bichos se puseram a bufar sobre ele o seu hálito quente, o que o salvou da hipotermia fatal. Só que agora ele não vai ter esse conforto.
3 -  Proscritos os bichos, também não há de haver pastores no Presépio; estes, por serem desnecessários, até impertinentes, nada têm a fazer no local. Vai sobrar espaço na taipa.
É... Sua Santidade despovoou o Presépio!
Tudo isso sem contar que desautorizou um santo de grande prestígio e, consta, de vastos saberes, profanos e teologais. Também é de preceito que São Francisco de Assis, o poverello, foi quem, no Século XIII, armou (em argila) o primeiro presépio da História, em Greccio, no Lácio, e  nele o milagroso frade juntou bois e vacas, carneiros e cabritos, cabras, muares e cavalos. Aliás, fundado no magistério do Coronel-FAB Antônio Frederico Bastos, festejado sabedor das coisas antigas, tenho acatáveis razões para crer que São Francisco colocou no seu presépio também um camelo - de resto, personagem obrigatório nas cenas médio-orientais.                
É... Sua Santidade se encrencou com o Santo de Assis !
Pessoalmente, acho que a novidade papal vai para o atoleiro onde moram as tais leis brasileiras que “não pegaram”. Essa coisa de por os bichos no ostracismo não vai pegar. Como não pegou, ainda, a proibição dos acochos de alcova sem casamento e fora dele; nem, até hoje, a supressão da camisinha.
É... Sua Santidade se colou em cheque...
Inovar é bom, mas... de modus in rebus, diziam os romanos (adoro essa frase). Tradução, para os pouco afeitos ao Latim: mexer em time que está ganhando costuma dar revertério. 

É onde eu te falo...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

RAJWAHPAPUH, FAQUIR DE FORMOSAS FALAS...





Hoje tomei café com um amigo, Rajwahpapu - entomologista por formação e faquir por gosto. Conheci-o na Manchúria, faz anos, quando lá fui estudar a arte de fazer iogurte com leite de camela. Meu amigo nasceu em Udhampur, na Caxemirra, mas como tem nojo das cizânias políticas entre índia, Paquistão e China, que disputam a propriedade da sua terra, fincou pouso numa fraga perdida do Passo Khyber, de onde viaja pelo mundo; segundo ele, para avaliar a inquietante exacerbação das enfermidades mentais que contaminam os governos do Planeta.
Pois Rajwapah, que fala 333 línguas e dialetos, está hoje, só hoje, em Belo Horizonte; ele a sua confortável cama de pregos. Viaja amanhã, pela KLM,  para Glasgow, rumo ao Eire, onde vai assuntar os sinais de fermentação do IRA, depois do que segue para o País Basco, a  convite da Universidade de Bilbao, onde dará palestra sobre os ares empesteados que vêm dominando alguns países sul-americanos. Grande sujeito, o faquir.
É dele o Catálo de Governantes em Geral, cujos originais estão na biblioteca particular do Dalai Lama. Segundo Rajwahpapu é incalculável o número dos “bound-ahm-moll’e” – expressão dele, mistura de hindustani, pashto, swahili e persa antigo, traduzível por governante sonolento, governo aguado, administrador desidioso ; ou como se diz no Deserto do Nefud, em termos um pouqinho mais  rudes, "bound-ah-d'áhguah", governante que sofreu lobotomia. Esse naipe de governante, diz o faquir, domina na rara proporção de  98,79%  do mundo. Papagaio! – pensei. Inda bem que o Brasil figura entre os 1,21% que gozam da eficácia governamental...
Fui desenganado. O próprio faquir me apontou o que seria singela marca desse modo de governar, aqui mesmo, em Belo Horizonte. - Ô quê? Tem certeza, Rajwahpapu?  - Ele tinha. E me provou. Foi assim:
- Sabe aquele túnel de retorno que vocês têm aqui, aquele que passa debaixo da rodovia BR-040, ali pela altura do Shopping Ponteio?
- Pois sei.
- Então. Por conta dos poucos méritos dos engenheiros que o fizeram, a obra foi tocada sem observância dos mais elementares preceitos da Geologia e sem a devida avaliação topográfica.  Sabia disso?
- Não.
- No entanto foi assim. Vieram as chuvas de verão - fenômeno elementarmente previsível, mas não levado em conta - aquela coisa (quero dizer, o túnel) foi entupida por desaterramentos, pedras, galhas, bichos e mais coisas que vieram no roldão da enxurrada, né?
- É.
- Pois fiquei sabendo pelo Daily Mirror (eu estava em Londres), que isso aconteceu em Dezembro de 2.011... Ou seja, daqui a dias fará um ano! Um ano!!!
- É...
Foi quando Rajwahpapu mostrou que conhece perfeitamente o quadro da política mundial. Ele me contou, com relação ao nosso túnel, que os Governos Municipal, Estadual e Federal se limitam a empurrar com a barriga: espicham o bico, espiam, fazem cara de sonsos, e se põem de desentendidos - um jogando a batata quente para o outro, tipo “isso não é comigo”...
- Sério, faquir?
- Claro que é. E nesse não é comigo, não é comigo, o tempo passa e o povo não pode usar o túnel. Para o retorno, é preciso rodar estrada acima até o viaduto do BH Shopping...
- Coisa, hein, faquir?
- Para usar expressão mineira, procê vê..  (O danado do faquir fala mineirês).

É onde eu te falo...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A PRAGA VERMELHA




            Em culinária há coisas que, mesmo insossas ou passáveis, viram praga. E praga só serve para atazanar, se não for exorcizada. Dou alguns exemplos: o coulis  de vagas frutas vermelhas na sobremesa; o feioso e improvável molho de jabuticaba sobre a ave assada; as barquinhas de folha de endívia recheadas de excessos de alho porro (dito poró), e por aí vai. Essas e outras coisas dispensáveis são hóspedes indefectíveis de 90% dos bares e restaurantes belo-horizontinos (desprezo a tal reforma ortográfica).
            Agora, cá entre nós, praga mesmo é a... txan-txan-txan-txan! ... pimenta biquinho! Ô raio de  frutinha chata, com um rabinho pretencioso, que parece berbigão – este molusco, aliás, delicioso. Mas a tal de biquinho, decididamente, é a própria sensaboria. É tão insípida e tão pouco acrescenta à comida, que chega a enternecer, coitada. Faz vista, sim, vermelhinha e brilhante, passeando entre folhas verdes ou, cheia de presunção, vagando sobre a travessa de feijão-tropeiro, no que é perfeitamente dispensável, se não for importuna. Depois, a danada tem mais sementes que qualquer melancia (das grandes). Aquilo, quando você morde, é uma explosão, arenosa e sem pudor, de sementes: mastigá-las dá um “irk” arrepiante; degluti-las é um sofrimento.
            No entanto, se apresenta nas mesas mineiras como a “cigarra de maior talento” - lembram-se de Olegário Mariano, poeta, constituinte de 1946 e diplomata? Pois é dele a expressão, que calha bem: a biquinho é tão enfadonha quanto os cantares da cigarra... Há um programa em Belo Horizonte cuja proposta era enaltecer as guloseimas de buteco” - programa que desgarrou da idéia original: as gostosuras ligeiras do tira-gosto viraram pantagruélicos almoços, jantares e ceias, para glutões. Haja sal-de-fruta! Essa comezaina, servida em forma de montanha, enche uma gamela - das bitelas. 
Esse evento é o Reino da Glória da tal pimenta. Nele, qualquer carne, cereal, caldo, legume ou folhagem, chega à mesa coroado com um enxame dela, como se fosse um vasto formigueiro - de formigas vermelhas e bundudas; já as vi se metendo à besta (é "munta" audácia) até em sobremesas...
Mas é a compulsão, vulgar e obstinada, do lugar comum que o brasileiro adora. Qualquer coisa nova se torna indiscriminadamente apropriável e usada até enojar. A biquinho surgiu, tadinha, sem vaidade e sem orgulho, sabendo-se pífia e mocoronga; mas era uma novidade para o grande público. Deu no que deu. Virou andaço. Mais que isso, epidemia.

É onde eu te falo...      

terça-feira, 30 de outubro de 2012

INFAMES, TORPES E BOÇAIS




            Considerando a mania antiga de dizer que qualquer um é “meu próximo”, de quantos conselhos inexeqüíveis já ouvi, nenhum é tão absurdo quanto  “amar o próximo” – quando não se distingue esse próximo. Há próximos a quem se deve amor e “próximos” que, até por não serem próximos, merecem o inferno em vida e depois dela. Não é meu próximo, por exemplo, um boçal torpe que faz o mundo feder só por existir; e que fala pela bunda. Não posso amar uma coisa assim; nem os que aplaudem essa coisa – igualmente torpes e boçais. Esses não são gente, mas algo que torna sublime o nojento resultado do purgante intestinal. Quem (tirante ela própria) pode amar a... merda infame?   
Essas excrescências, uma praga, não pertencem ao gênero humano; nem se catalogam como integrantes do mundo animal; animais são seres maravilhosos, que merecem respeito. Portanto, não sendo gentes nem animais, não podem ser amados. Quando Voltaite, o ilustre, recomendou: “Écrasez l’infame!” – massacrai o infame – ele usou “infame” referindo-se ao poder que tinha a Igreja para prender, torturar e matar. De fato, infâmia em grau superlativo. No entanto, menor que a dos torpes boçais. Essa chusma comete crime de lesa-humanidade só por respirar o nosso oxigênio.
A Igreja, que assou milhares de “próximos”, bem que podia tomar tenência e retomar o seu antigo poder de eliminação dolorosa e definitiva – mas, entenda bem, exclusivamente para aplicar o seu furor piromaníaco sobre as excrescências acima referidas, tostando-as, vivas, nas labaredas purificantes. A purificação, aí, não seria das excrescências, porque essa coisa não se purifica jamais; o mundo é que seria purificado. Alguns dão a isso o nome de “profilaxia social”. Seria ótimo, mas tão perigoso quanto uma acha de fogo num barril de nafta: os pirômanos são muito responsáveis pelo alastramento da praga. 

 É onde eu te falo...          

domingo, 14 de outubro de 2012

O QUE É A VERDADE ?



            A Walmo Soares Vianna, que dentre outros predicamentos, é violonista de alto nível, faixa preta e até oftalmologista.

            Lançado pela editora Civilização Brasileira, “As Duas Guerras de Vladmir Erzog” -  o jornalista judeu iugoslavo, que ultimamente vem se hospedando nos jornais. Pessoalmente, jamais acreditei que ele se tenha enforcado com um cinto. Da mesma forma que não engulo o “suicídio” do inconfidente Cláudio Manoel da Costa, notoriamente morto junto à estante (fio-me em documentos da época) em que ele teria atado aos cadarços em que se enforcou. 
            O que me faz descrer desses suicídios? A obviedade. O jornalista e o inconfidente tinham os pés à altura do chão. Ora, o que mata o enforcado nem é a asfixia, mas a quebra do pescoço, provocada pelo tremendo arranco do laço enquanto o executado cai em queda livre. Ninguém, eu acho, se esganaria puxando o pescoço contra a corda até que os pulmões arrebentassem por falta de oxigênio; o instinto de conservação o faria desistir na última hora. Aliás, li que os suicidas, no último instante, quando a situação já é irreversível, se arrependem do seu gesto. Portanto, para mim e independente do que possam achar, Erzog e Cláudio Manoel foram prosaicamente assassinados.
            Conforme entendo, o autor do livro, Adálio Dantas, acaba situando que o jornalista não deve ser elevado aos píncaros de mártir só porque teria sido assassinado no DOI-Codi, mas colocando-o, ao que me passa, na condição de protomártir da luta contra a censura que o governo militar impunha às publicações jornalísticas. Concordo. A esquerda festiva adora um mártir, inda mais quando ele faz parte do seu coro ideológico; um mártir bem administrado rende saborosos dividendos políticos. Mas Erzog foi, e isso deve ser ressaltado, a primeira vítima imolada na escaramuça contestatória da censura, justa razão para que seja devidamente enaltecido e lembrado. Oxalá os brasileiros se guiem por essa luz, ao invés de - como lhes vêm ensinando os corvos ideológicos - considerá-lo, num reducionismo cretino, apenas como opositor ao governo militar. Vladmir Erzog lutou contra a censura, não, própria e simplistamente, contra um regime de exceção.
            Agora, vem cá. O lulopetismo, comandado por José Dirceu, tentou n vezes implantar a mesma censura no Brasil, sob a rubrica de “controle social da mídia” – eufemismo canalha para censura jornalística. Não é de rachar? Essa desgraça só não aconteceu graças à Imprensa e a Ministros do Supremo Tribunal Federal; aquela, através de artigos e editoriais combativos; estes, pela advertência pública sobre a merdeza político-intelectual de semelhante “controle”. O Parlamento, esse, por si, pouco fez.
            Por isso é que digo: a imprensa livre e a “longa manus” da Justiça (se igualmente livre de magistrados comprometidos) são os verdadeiros garantes da Democracia. Dirceu, o mandarim do lulopetismo, aprendeu com Castro e com os ogros da Duma Soviética que só podem circular publicações afinadas com a “intelligentzia” oficial. O Pravda, na Rússia Soviética, e o Granma, em Cuba, são os grandes exemplos desse tipo de imprensa – que não é  Imprensa (com “i” maiúsculo), mas reles variação do papel higiênico (usado)...
            Então, pergunto: se o tal “controle social da mídia” houvesse sido implantado no Brasil, quem seria a segunda versão de Vladmir Erzog? “Pravda” em russo, significa “verdade”, ao que me informam. Pois é, existe mais de uma verdade. Segundo as Novas Escrituras, Cristo teria perguntado: Quid est veritas? - o que é a verdade? Ora, responda, você. 
             
               É onde eu te falo...