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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A VOLTA DO "SABE COM QUEM TÁ FALANDO?"



           Há anos li uma história. Era madrugada, em Londres. Um carro – talvez um Aston Martin de muitos cilindros – contorna a praça em alta velocidade e recebe do policial a ordem de parar. O motorista freia e é abordado pelo policial que, só então, verifica se tratar de Sua Alteza Real Charles de Windsor. Impassível, mas cerimonioso, cumprimenta Your Highness, o Príncipe de Gales, a quem entrega a intimação para comparecer à  presença do juiz no dia seguinte. Charles se apresenta ao tribunal, reconhece a sua falta, é censurado, admoestado, e deixa o prédio com a nota da multa que lhe foi imposta por desrespeito à lei de trânsito. Igualzinho no Brasil.
            Essa história me veio quando li no jornal que os padres não devem se sujeitar às severidades da Lei Seca. Isso mesmo. Basta-lhe dar uma carteirada nos “home” e dizer: “- Qualé, ô meu? Sou padre e acabo de celebrar missa, onde transformo vinho em sangue, tá sabendo, jacaré? E mais uma vez o Código Penal vai pro brejo.      
            A notícia diz que a CNBB rejeitou com certa aspereza a sugestão de, nas missas, o celebrante usar suco de uva em vez de vinho. Até que Sua Santidade Benedictus XVI autorize expressamente o emprego do suco, a transubstanciação continuará a ser feita com vinho mesmo. Assim, como vinho tem álcool e os padres se vestem como qualquer do povo, a eles, se colhidos numa blitz, basta alegar a sua condição de padre para se eximir do bafômetro. E mesmo que o sopre - hipótese bem remota - a eventual detecção de álcool não tipifica o delito que a chamada “tolerância zero” pretende combater. Trem doido, isso. Mas prosaico, a bem dizer.
            Prosaico, mas que conduz a grave questão de ordem metafísica. O vinho consagrado se transmuda em sangue e, pois, razão não há para que os padres se arreceiem de soprar o bafômetro, visto que só tem álcool o sangue de quem bebeu álcool - o que não é, obviamente, o caso do padre que fez a transubstanciação e bebeu o elemento resultante -sangue, não vinho. O conselho que a CNBB dá aos padres, de dar carteirada e se recusar ao bafômetro sob a alegação de que é padre, não faz sentido. Ou será que faz?

            É onde eu te falo...

PS 1 - Acho que a vírgula antes de “não dirija” é perfeitamente dispensável.
               PS 2  - Este texto foi escrito pouco antes da renúncia de Benedictus XVI, a julgar pelos noticiários.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"IN VINO VERITAS" ou "VERITAS IN SUCO" ?




Importante é  a versão, não o fato. Consta que um político é autor da frase; cujo nome não interessa, até porque em torno dessa autoria há também muitas versões. De todo modo, o fato é sempre unívoco, enquanto as versões são variante sem compromisso com a realidade. O assunto diz com o notório horror de algumas facções cristãs às bebidas alcoólicas, embora nenhum adepto dessas correntes, proibido de beber álcool, se lembre de perguntar de onde vem essa proibição. O islamismo não se inclui nessas correntes ambíguas, pelo óbvio: o Corão veda expressamente o consumo de bebida alcoólica – ou seja, sabe-se a origem desse veto ao álcool. Aliás, entre os livros religiosos, sempre achei que o Corão é, inteligentemente, muito objetivo.
Andei indagando dos religiosos inimigos do álcool onde, nos seus textos sagrados, está escrito que o adepto não pode degustar o vinho, por exemplo. Claro, só obtive respostas tolas, de cunho subjetivo, todas incoerentes. Larguei pra lá. Mas quando encontrei na Internet a afirmação – claramente manipulada – de que Cristo não bebia vinho, mas suco de uva, sem álcool, fiquei perplexo. Ora veja! Então, nas bodas de Canaã, como na última ceia, a “carta de vinhos” se resumia a... suco de uva. Oh, Diabo, cada vertente diz uma coisa!!
No entanto, essa é a versão. Quem se interessar vá ao Google e digite, por exemplo “Cristo bebia vinho?” E se divertirá com os malabarismos dos “escribas” para justificar, com foros de dogma feroz, a abominação ao álcool. E verá  como são marotos esses escribas que pregam, por escrito e por via oral, que na Bíblia só gentios, fariseus, fornicadores  e outras modalidades de ímpios, tomavam lá o seu vinhinho. A propósito, também consta que o mosto das melhores cepas, naquele tempo, era vinificado na Síria, então grande exportadora de vinho.
Aí bate o sininho – sempre ele, esse danado – e me surge uma nova questão. Ora, o álcool é um composto orgânico de fórmula R-OH, na qual R é um radical alquila; e alquila é um radical orgânico monovalente de fórmula geral CnH2n+1, formado pela remoção de um átomo de hidrogênio de um hidrocarboneto saturado.  Cultural, né? Mas, não, não sou lá tão versado em Química Orgânica quanto possa parecer. A explanação é do Houaiss, à falta de um compêndio dessa matéria. Seja como for, independente dessas definições grandiosas, vale anotar que o álcool é um conservante excepcional. Cautela! Não há aqui apologia ao consumo de álcool, mas a lembrança de uma lei natural “antiga e aceita”. O que se quer dizer é que o suco de uva derranca se não se lhe acrescenta... álcool.                 
Assim, nos Orientes Médios, de clima notória e excepcionalmente abrasado, como os hebreus de Yahweh e os judeus de Cristo conservavam todo o suco de uva que era uma constante nas respectivas dietas de terra quente de água escassa? Aí os escribas se superam. Sabem o que eles dizem? Pois dizem que esse suco, sem álcool era conservado em ânforas herméticas submersas em água! Mas que água? O Oriente Médio, tirante o Tigre e o Eufrates, mesmo o minguado Jordão, não era pródigo em águas. Vá lá, havia os mares Vermelho e Morto, até o da Galiléia, além de um oásis aqui, outro ali,ou outro, espalhados nos areais e carrascais intermináveis. Basta ir ao Atlas e confrontá-lo com os lugares bíblicos – no mais das vezes, há um mundo de areia e pedra a afastá-los de qualquer fonte de água. Ah, e para colorir a tese do suco sem álcool os escribas alardeiam que até os romanos conservavam o mosto em água. Bem, excepcionalmente e para emprego rápido, pode ser, mas daí a justificar a proposição de que suco de uva puro pode durar de uma vindima até a próxima, um ano depois... Sei lá.               
Pois é. O fato é de somenos. Importante é a versão. E versão, desde a Antiguidade, é nada além de embromação, invencionice feita de irrealidades, bona aut non bona fides (*)  - o que lembra, vagamente, um verbo da terceira conjugação, hoje em desuso, excepcionalmente significativo: engrupir. Consultar Houaiss ou Aurélio enquanto abro um Sauvignon Blanc  geladinho para acompanhar a terrina de mexilhões frescos que me fez a adorável Andréa.
É onde eu te falo...  

(*) de boa ou de má fé       

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ENTÃO O SININHO TOCA...



            Na adolescência me encantei com a História dos Povos Antigos; lia, cada vez mais encantado, tudo que sobre o assunto me caía nas mãos. Não demorou, verifiquei que dentre esses povos são raros os que não guardam na sua tradição uma catástrofe pluvial de proporções gigantescas – a mesma que, egoisticamente apropriada pelos hebreus como exclusividade do povo de Abrahão, passou a se chamar Dilúvio. Por coincidência, todas as narrativas, falam de um construtor naval, de um navio descomunal, de gentes e bichos que nele se refugiaram e se salvaram, e da extinção da vida humana e animal no mundo.
 Não vou me deter sobre o tema; quem se interessar que investigue, pois sobram referências documentais, até gravações em pedra, que narram esse tenebroso destempero pluvial na Antiguidade, em diversas latitudes e regiões. Curiosamente, todos esses eventos são anteriores à época de Noé, o armador judeu. 
O assunto diz com uma estranha ligação entre a maioria das religiões, com tantos pontos de convergência que parecem ser uma irmã da outra. É claro que, dada a minha formação, me faltam elementos e autoridade para estabelecer uma certeza, mas um sininho bate na minha cabeça; e ainda não encontrei quem, a poder de argumentos sérios, lhe quietasse o badalo. Já não falo da pomba e do cordeiro que o Cristianismo adotou como símbolos e parecem herança religiosa do Egito Antigo. Também não me refiro à auréola de ouro dos santos católicos, a mesma que já há três mil anos a.C. figurava sobre a cabeça de Rama Chandra ou apenas Rama, uma das encarnações de Vishnu. Refiro-me a coisas muito mais inquietantes.
Desengane-se quem, numa avaliação superficial e rasteira me queira ver como inimigo do Catolicismo. Não sou, como, de resto, de qualquer religião. Não professo qualquer doutrina religiosa, mas não as combato; nem me permito tratá-las com desrespeito. As crenças das pessoas são sagradas. Não sou muçulmano, mas se entro num templo islâmico, faço-o debaixo das prescrições rituais porque ali é, mesmo para um não adepto, um local sagrado. Não freqüento as missas, mas quando preciso assisti-las, ajo como um católico devoto, inda que copiando tudo o que fazem os verdadeiros fiéis. É questão de civilidade; e de respeito às crenças. 
Portanto, fico à vontade para considerar o insólito paralelo entre Horus, o egípcio e Cristo, o judeu. Ô quê! Ficou doido? Similaridades entre Horus e Cristo? Ah, não! Você endoidou de vez! – dirão alguns. Você é discípulo do Demônio! – outros dirão. Herege! – alguém gritará. Anátema - outros gritarão. Podem
os rasteiros superficiais falar, ou gritar, o que quiserem; apesar deles consta que
   
     *Horus nasceu da Virgem Ísis; Cristo de Maria Virgem.
     *Horus foi considerado menino prodígio; Cristo também. 
     *Horus andou sobre as águas; também Cristo.
     *Horus foi batizado no rio; Cristo igualmente.    
     *Horus andava com doze discípulos; também eram doze os de Cristo.
     *Horus ressuscitou El Azar; Cristo ressuscitou Lázaro.
     *Horus foi traído por seu discípulo Tífon; Jesus pelo apóstolo Judas.
     *Horus foi condenado à crucifixão; Cristo também.
     *Horus foi chamado “Deus dos Egípcios”; Cristo de “Rei dos Judeus”.
     *Horus, morto na cruz, ressuscitou três dias depois; como Cristo.
     *Horus se dizia “o caminho, a verdade e a vida”; palavras de Cristo.

Coincidências? Não sei. Mas são coisas que fazem pensar. Principalmente porque a lenda de Horus, filho de Ísis, mulher de Osíris, já era velha cerca de 3.000 anos do nascimento de Cristo. Trem doido, isso. Certo estava quem se referiu àquilo que a “nossa vã filosofia” nem pode supor. Inquieta, né?

É onde eu te falo...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

LENDAS E MITOS - delícia dos livre-pensadores



Houve divergências quanto ao faraó que detinha as Duas Coroas ao tempo do êxodo dos hebreus. Uns poucos apontaram Meremptah ou Merneptah, 13º. filho de Ramsés II; outros sugeriram Pepi I. No entanto, predominou, com os louros de proposição majoritária, a corrente que indicou Sua Majestade Graciosa Ramsés II, o grande, neto de Ramsés I e filho de Seti I.
A opinião de que Pepi I detivesse o trono egípcio ao tempo do Êxodo é historicamente inaceitável. O só fato desse faraó pertencer à VI Dinastia o tira da liça. Essa dinastia foi a última do Antigo Império, que findou mil anos antes da travessia dos hebreus rumo a Canaã: é provado documentalmente que a emigração dos hebreus do Egito seu de por volta do Século XIII AC, e Pepi I governou o Império por volta de dois mil anos Antes de Cristo; a esse tempo nem se formara ainda a grande colônia hebraica em terra egípcia.
Quanto a Merenptah ou Merneptah, a coisa tem contornos anedóticos. Quando lhe abriram o sarcófago, encontrado nos finais do Século XIX, verificaram-se manchas brancas na sua múmia. Ah, pra quê! Embora os próprios judeus se mostrassem reservados a respeito, a Cristandade entrou em delírio santo: - Meremptah morreu no mar! – esgoelavam as coortes cristãs no auge dos seus sagrados delírios, pois entenderam, e divulgaram, que as tais manchas brancas eram pura concentração de cloreto de potássio, clássico elemento do mar; e das cozinhas.
Pronto! A cama estava feita. Que faraó morreu no mar? Só um! Só ele, que perseguia os judeus retirantes e foi tragado pelas ondas quando Moisés parou de hipnotizar o Mar Vermelho, no qual ele abrira um vasto carreiro para a passagem do Povo de Deus!
Choveram aleluias em todo o Planeta. - Mordam suas línguas venenosas, gentios! O Livro Sagrado não mente! Tudo que está na Bíblia é verdade, ó insensatos! – berravam os “Pregadores da Palavra”, inundando as nações com seus perdigotos santificados. E era, de fato, um achado, aquela “evidência” de um faraó afogado no Mar Vermelho, muito conveniente para comover os cabeças-ocas de sempre. Mas, a História - notadamente a egípcia, tão detalhada e documentada em pedra e papiro - nunca registrou um faraó morto por afogamento! Sim, mas porque a Humanidade não estava preparada para receber essa revelação divina com certidão de autenticidade – diziam.
- Os desideratos divinos não se mostram facilmente comprováveis, já que o Criador prefere que essas comprovações, Aleluia!, se evidenciem pela fé! – berravam. - Mas eis que um dia Ele, segundo os seus divinais critérios, decide mostrar a verdade, e eis que o Faraó do Êxodo exsurge das trevas, demolhado em sal marinho, para confranger os descrentes, Aleluia! – urravam. Virou um auê só. A múmia de Merenptah dava foros de realidade histórica às lendas do Livro de Êxodo.
Mas a exultação durou pouco. A Ciência desmistificou a louvaminha. Acurados exames de laboratório provaram que as manchas brancas no cadáver mumificado de Merenptah se deviam ao natrão, Na2.Co3.10H2O, um composto de carbonato de sódio, bicarbonato de sódio, sal e sulfato de sódio, larga e notoriamente empregado na Casa dos Mostos para desidratar os tecidos e combater às bactérias! Todas as mumificações do Egito antigo eram feitas com o emprego do natrão...
- Oh, maldita seja essa Ciência, que nos vem contradizer! – murmuravam os arautos cristãos. Se a praga pegou, não sei, mas a Ciência, maldita ou não, só tem avançado no trabalho salutar de desmanchar mistificações religiosas. O tempo passou e os pregadores se quietaram, sem jamais esconder o desgosto de ver os cientistas, inda uma vez, roubando-lhes os trunfos de mais um mito; e um mito de enorme potencial político/econômico...
Certo é que egiptólogos, historiadores, arqueólogos e similares endossam seriamente que o Faraó do Êxodo era Ramsés II, filho de Seti I. Afinal, há certeza histórica de que foi Seti I, o sábio, quem iniciou a construção de Pi-Ramsés, cidade do estuário ultimada por seu filho Ramsés II, que para lá transferiu a sede do governo egípcio – fugindo da influência daninha dos sacerdotes, casta delirante amontoada em Tebas. E, embora não se possa, racionalmente, dar crédito integral às notícia do Livro de Êxodo, sabe-se que foi durante as obras de Pi-Ramsés que o neto (pelo lado materno) de Seti I, o príncipe Ptah-Mose, matou um operário e se escafedeu para as terras de Madian – de onde, depois de roubar o sogro Jethro, retornou ao Egito com o nome de Moshe, ou Moisés,  casado com a saborosa Séphora, a legendária safira madianita. Aliás, Séphora de Madian, graças ao diretor Cecil B. De Mille, passou a se chamar Yvonne de Carlo...   

É onde eu te falo...
  

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

QUEM ACHA VIVE SE PERDENDO (Noel Rosa)



A gente somos inútel! Inútel. A gente não sabemos escolher presidente! A gente não sabemos tomar conta da gente! A gente não sabemos nem escovar os dente! A gente somos inútel!

             Essa grita do Ultraje a Rigor é velha, mas a gente continua “inútel”. Não se esperava mais de uma gente entupida de “cidadania”. Foi o que fizeram com o brasileiro: despejaram-lhe baldes de “cidadania” pela boca, até vazar no rabo e dessa terapia safada surgiu um ser perfeitamente brasileiro, a verdadeira “brava gente brasileira” - rebotalho “inútel” , ao qual,  como vítima de nefasto assistencialismo, basta comer e evacuar.     
Grafei entre aspas a cidadania derrancada com que o Governo moldou esse tipo disentérico-cidadão. Intoxicado de bolsas, contenta-se com os caraminguás “democráticos” custeados por empréstimos absurdos tomados da rede bancária, do que resulta impagável gigadívida interna. E os babacas acham que tudo está muito bem. Para cérebros do tamanho de um grão de painço está mesmo. Afinal, o bicho é ignorante e imediatista.
Sociólogos de galinheiro, para justificar a diarréia de bolsas, dizem que essa ignorância e esse imediatismo vêm do longo tempo de obscuridade social.... Concordo, até. Discordo é da canalhice de se aproveitar dessa situação. Ao invés de dar cultura séria e meios de renda, dão-se bolsas. Aí o sujeito permanece ignorante, remedeia o estado de penúria e se torna manipulável. Que candidato malfeitor não quer um colégio eleitoral desse naipe? Si o povo ficá isperto num vota mais ni nóis, né?
Daí, tome bolsa! É bolsa-geladeira, bolsa-gás, bolsa tpm, bolsa-mau hálito, bolsa-crak, bolsa-disfunção erétil, bolsa-menopausa, bolsa-isso, bolsa-aquilo. Então, o paspalho, afagado por esses enganosos carinhos-de-serralho, acha que isso é cidadania. Sem contar que, além de ignorante, o paspalho é malandro: não percebe aonde o velhaco do Governo quer chegar, mas tem a malícia inata do acomodado que canta: deixo a vida me levar, vida leva eu... Quem não se lembra daquele sujeito que cantava: não quero outra vida pescando no rio de jereré ? Pois é assim. Nessa modalidade de vida, o malandro do jereré dizia: se compro na feira feijão, rapadura, pra que trabaiá?
E continua o baile. Povão burro é um manjar celeste para certos governantes. Pois um trânsfuga desenganado, que vegeta ao lado do caixão aberto, não governa certa nação? Um caduco  mumificado não governa uma outra - por interposta pessoa? Não tem uma aloprada que para disfarçar a sua incompetência vive desafiando certa marinha de guerra que já mostrou do que é capaz? Tem exemplos de sobra; tem de tudo. E esse “tudo” vai continuar defecando na retranca - no que é phd – enquanto as enfermidades sociais forem cultivadas e os enfermos, na sua burrice, estiverem gostando; e achando uma beleza. Até a casa cair, o que um dia vai acontecer. Vai achando, vai, ô mané... Famoso poeta notívago, que ia dormir quando “o apito da fábrica de tecidos vem ferir os meus ouvidos”, já avisou, faz tempo: quem acha vive se perdendo.

É onde eu te falo... 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

BAILE DE MÁSCARAS



A diligência da Wells Fargo corre pela estrada poeirenta rumo a Sacramento. Então, numa curva súbita surgem bandoleiros mascarados que pretendem roubar o cofre. Eles trazem sob os olhos lenços que lhes cobrem o rosto dos olhos para baixo. Aí matam o cocheiro e o guarda, mais um ou dois passageiros, pegam o cofre e somem. 
            No fim, apesar das máscaras, os meliantes são descobertos e, enquanto bebem no saloon, são devidamente abatidos pelo eficiente Colt Navy .45 do “mocinho” - que ganha a filha única do fazendeiro rico ou a herdeira espoliada pelo banqueiro sem-vergonha. Saborosas e recorrentes cenas nos velhos westerns que se assistiam com um saco de pipoca e outro de amendoim pralinê - igualmente saborosos.
            Nas películas de Hollywood, a máscara era um expediente para ocultar a identidade do vagabundo. E assim na vida real; mas antigamente. Hoje os criminosos usam malhas que lhes cobrem toda cabeça, deixando apenas aberturas por onde espiam o desenrolar do crime. Isso quando eles fazem questão de ficar incógnitos; há salafrários que não têm essa preocupação. Cínicos, agem de cara limpa. Brasília está “assim” deles.
            É de ver como o mundo evoluiu! Outrora os tralhas queriam o anonimato, pois tinham medo da lei. Hoje, nem tanto, embora receiem a exposição na mídia e, ultimamente, os juízos criminais que, depois da Ação Penal n. 470, deram de ficar menos tolerantes.
            O Ministério Público é um órgão enfezado. Age com denodo contra os canalhas brasilienses – não apenas nos libelos acusatórios, mas, e principalmente, nas investigações que fazem em prol do interesse público. Sim, porque o órgão também tem o poder da investigação criminal. Aliás, é o que vem decidindo o Supremo Tribunal Federal, por exemplo, no julgamento publicado em 22/10/09, sob relatoria do Min. Celso de Mello.
            No entanto, e até porque existem decisões em contrário, “Brasília” se precata: nasce o projeto de lei cuja finalidade é retirar, aberta e definitivamente, essa competência do Ministério Público.
            Claro! Se investigam a fundo e conforme o “doa a quem doer”, muito vagabundo travestido de “Varão de Plutarco” pode ser “desmascarado” e condenado a qualquer momento, embora criminoso desse naipe não use -  literalmente falando - máscara. É de espantar? Não. Canalhice é mal sem cura. E assim, safados ilustres - autores e defensores desse projeto - consideram que é um grande perigo para a República deixar o Ministério Público vasculhar o lixo brasiliense. Esse povo não tem limite. Parece coisa da Infâmia & Cia. Ilimitada.
            Os brasileiros poderiam, mesmo, levar a cabo - objetiva, literal, radical e materialmente - o conselho de Voltaire: Écrasez l’infâme ! – esmagai o infame!
              
            É onde eu te falo...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

PRECOGNIÇÃO



             
Depois vêm os céticos dizer que o sobrenatural não existe. Deu no Der Spiegel, semanário importante na Europa, mais ainda na Alemanha: Pieter Brugel, de Flandres, e Salvador Dalí, o catalão, não eram somente dois pintores geniais, mas videntes poderosos.
É o que revelam documentos recentemente encontrados no Mercado de Pulgas de Londres pelo pesquisador Yshov Namata, judeu nipônico de muito prestígio na CHAZE, Comunidade Histórico/Acadêmica da Zona do Euro, com sede em Antuérpia, na Bélgica. Esses documentos, por gritante coincidência, estavam juntos num envelope. Um escrito e assinado por Bruegel, outro por Salvador Dalí. Quem os teria guardado? E por que juntos?  Não se sabe. Mas o que esses documentos contam causam perplexidade. Aliás, causam vertigens.
            Bruegel, em 1º./01/1563, ainda na metade do Século XVI, pintou O Cego ; conforme o escrito encontrado por Namata, a tela retrata a antevisão que teve o pintor, há exatos 450 anos, daquilo que seria o brasileiro de 1º./01/2013. À época de Bruegel, o Brasil era ainda incipiente colônia de Dom João III, que acabara de suceder ao venturoso Dom Manuel. Extraordinária premonição!
            Mais assombrosas ainda são as coincidências – inclusive quanto às datas - que unem os dois artistas, de histórias, técnicas e épocas tão diferentes, os quais, no entanto, tiveram praticamente o mesmo presságio. Pois Dalí, exatamente em 1º./01/1963, justos 400 anos depois de Bruegel, pintou uma antevisão que teve. Somente após a descoberta de Namata o mundo se inteirou do motivo da famosa tela do catalão, aquela que tem três relógios meio derretidos, um numa galha seca, um em cima de paredão e outro como sela do que parece um cavalo-sem-cabeça: o quadro, conforme manuscrito do próprio pntor, representa o que seria o Brasil de 1º./01/2013!   
           Agora vê! Um pinta o brasileiro e o outro pinta o Brasil, ambos num primeiro de Janeiro (de 1563 e de 1963), os dois prevendo uma situação tenebrosa que ocorreria do outro lado do mundo em 1º./01/2013! Por que cargas d’água os dois pintores fixaram exatamente o dia 1º. de Janeiro de 2013 como marco?  A resposta mais plausível foi dada por Rajwahpapuh, o faquir de largos saberes: ele acha que nessa data estavam entronizando criminosos condenados em altos postos da República. Será? Não sei.  
Mas sei que é fantástica, descomunal, prodigiosa, a percepção extra-sensorial (desprezo absoluto pelo Acordo Ortográfico), ou precognição, de que eram munidos os dois artistas! O cego de Bruegel é um mamulengo que nem olhos tem, mas somente as respectivas cavidades, vazias; e a tela de Dalí, com suas tortuosidades, fala de devastação. Noutras palavras, os cegos permitiram...      

É onde eu te falo...