Paolo Gabriele (atenção, é pá-olo e não paô-lo ) mordomo de Sua Santidade Benedito XVI, está em prisão domiciliar dentro do
Vaticano, onde amarga a acusação de se
apropriar de um cheque de cem mil euros e outras coisas, inclusive
documentos secretos da Santa Sé. O episódio traz à memória, trinta anos depois,
a saga dos “Banqueiros de Deus”, financistas que administravam criminosamente
as finanças do Vaticano, através de estranha ponte entre o Estado Papal e o
crime.
Quem não
acompanhou à época, pode buscar na Internet os desconchavos do economista Michele
Sindona, do banqueiro Roberto Calvi, do bispo Marcinkus e outros figurões, que
manobraram bilhões de dólares do Vaticano em paraísos ficais e protanizaram outras falcatruas. De permeio, as sérias suspeitas do assassinato de João Paulo I, que
fazia um grande expurgo na direção das instituições financeiras da Santa Sé,
nas quais prelados e seculares, todos de
conduta duvidosa, dançavam cirandas
secretas e lucrativas.
Entronizado João Paulo II, os tais financistas foram
reconduzidos aos seus cargos, fato que culminou no escândalo do Banco
Ambrosiano. Sindona foi assassinado na prisão, Calvi foi encontrado pendurado
numa corda numa ponte sobre o Tâmisa (“O poderoso chefão 3”...) e Marcinkus,
que usava uma pistola presa à canela e dizia que o Vaticano não era governado
por ave-marias, se auto-exilou nos Estados Unidos, cheio de imunidades
diplomáticas e os cambau.
Coincidência,
estou lendo “Biografia não autorizada do Vaticano”, do espanhol Santiago Camacho,
editora Planeta. Santo Deus! Com citações e referências autorais, ali estão
coisas de arrepiar. São manobras de Pio XII para acoitar criminosos nazistas e
proteger os croatas da organização uastashi ,
que, na ânsia de uma Croácia católica, trucidaram a sangue frio
milhares de sérvios em 1941; e também os campos de extermínio croatas comandados por
franciscanos, dentre eles os frades Miroslav Filipovic, comandante do campo de
Jasenovac, onde milhões de judeus e seguidores da Igreja Ortodoxa foram trucidados, e Pedro Brzica, que, pessoalmente, teria matado 1.350
prisioneiros, sob a supervisão do cardeal primaz Alojzije Stepinac - elevado
por João Paulo II à categoria de beato.
Além disso,
as ligações vaticanas, entrelaçadas pelos mesmos "banqueiros divinos", com os capi Gambino, Lucky Luciano, Joe Masseria, Vito
Genovese & Cia; as operações de
lavagem de dinheiro da máfia siciliana; o estouro dos bônus falsos no valor de 950
milhões de dólares, encomendados ao especulador austríaco Ledl pelo Cardeal
Tisserant e colocados nos Estados Unidos em 1971; as trapaças sucessivas com a
fortuna do poderoso IOP-Instituto de Obras Religiosas (Marcinkus e um punhado
de maçons da Loja Propaganda Due, lá, deitando e rolando); os rombos colossais nas reservas do
Banco do Vaticano e muitas outras embrulhadas ficanceiras/eclesiais ... Papagaio! É de estarrecer. Se tudo isso é verdade, sei
não. Melhor não saber.
É onde eu te falo
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